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O mórmon que se descobre gay: Joe Pitt (Patrick Wilson)
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“Anjos na América”
O polêmico “Angels in America” chega ao HBO
29 Avril 2004
A HBO exibe, nos dias 9 e 16 de maio, às 21 horas, a superprodução de US$ 60 milhões Angels in America. Com elenco estelar - os vencedores de Oscar Al Pacino, Emma Thompson e Maryl Streep -, o filme/série é a tradução cinematográfica da peça homônima de Tony Kushner, que estreou na Broadway no começo dos anos 90. O roteiro para as telas foi feito pelo próprio autor teatral e a direção é de Mike Nichols (de Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, de 1966).
Angels in America, que causou barulho quando estreou, no final do ano passado, nos Estados Unidos, é ambientada em 1985, época em que a aids era ainda uma doença pouco conhecida e ligada exclusivamente aos homossexuais. Também um tempo em que Ronald Reagan estava no poder naquele país. Denso e nada confortador, o filme traz histórias de personagens que se cruzam e vivem deferentes situações permeadas pelo homossexualismo, pelo vírus HIV e pelo preconceito.
Muito mais do que um filme sobre homossexualismo e aids, Angels in America mostra as delicadas relações entre as pessoas. Desde o mórmon que se descobre gay e é casado com uma mulher que engole Valium como se fosse bala, ao inferno vivido por um casal de homossexuais quando um deles descobre que está doente. Angels in America é uma fábula em que os personagens vão sendo revelados entre sonhos e alucinações.
Al Pacino vive um personagem real, o advogado Roy Cohn, um nova-iorquino que se tornou famoso após o julgamento de Julius e Ethel Rosenberg - que aparece no filme na pele de Meryl Streep - condenados à morte por espionagem. Cohn foi o braço direito do general Joseph MCarthy, não assumia sua homossexualidade - que para ele era sinal de fraqueza - e morreu de aids em 1986. Uma das cenas mais impactantes do filme é protagonizada por Pacino. Ao ouvir seu médico dizer que ele está com aids, o personagem afirma que isso não é possível porque não é gay, mas apenas um homem que dorme com homens. E que, assim sendo, ele não tem aids mas sim câncer no fígado.
Cohn trabalha com Joe Pitt (Patrick Wilson), mórmon casado com Harper (Mary-Louise Parker), uma mulher viciada em Valium, que usa suas alucinações para fugir de sua vida infeliz. Joe sabe que é gay, mas reza contra o que considera um “mal”. Sua visão começa a mudar ao conhecer Louis (Ben Shenkman), um jovem judeu que lhe dá umas “dicas” em um interessante diálogo em que a palavra “gay” fica camuflada em discussões políticas. Para piorar a crise de Joe, sua mãe Hannah - também interpretada por Meryl Streep - não consegue aceitar a opção do filho.
Já Louis mora com seu namorado Prior (Justin Kirk), que acaba de revelar que está com aids. Em uma noite, Prior é hospitalizado e Louis, sem saber o que fazer, abandona seu namorado e vive assombrado por sua decisão. E Prior recebe a visita de um anjo, vivido por Emma Thompson, que mudará o rumo dos personagens da história.
O filme/série impressiona ainda mais por ser um produto feito para a TV, mas com qualidade cinematográfica. A superprodução ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Feito para a TV e mais quatro prêmios de atuação. Al Pacino e Meryl Streep - que debutaram na telinha - conquistaram os prêmios de Melhor Ator e Melhor Atriz. Jeffrey Wright - que aparece nas alucinações de Harper e também como Belize, enfermeiro de Cohn - foi considerado o Melhor Ator Coadjuvante e o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante foi para Emma Thompson.
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