Allan Acevedo

Allan Acevedo: Gay aos treze anos

Allan Acevedo, que vive em Califórnia do Sul, saiu do armário aos 13 anos de idade. Aqui conta-nos sua história:

A primeira pessoa a quem disse que era gay foi a amiga de minha irmã, e lhe disse por telefone. Depois, no primeiro dia de aula, disse a uma garota da escola. E no dia seguinte alguns amigos dela começaram a me perguntar:"Allan, é verdade que és gay?" E eu lhes dizia que sim. Quando chegou a hora de ir à aula de inglês o rumor estava a correr pela classe como um pavio de pólvora, e todos vinham e me perguntava se eu era gay, e isto realmente começou a ser uma distração para toda a classe. A professora perguntou-me: "Que ocorre, Allan?" Eu lhe disse, e todos os alunos começaram a rir. Após esse momento já não me importou mais, porque todos o sabiam.

Por aproximadamente dois meses todos os alunos da escola, inclusive pessoas que eu não conhecia, vinham e me perguntavam se era gay. As pessoas reagiam de maneiras diferentes, alguns com desapravação e outros com reações positivas. Umas garotas da escola disseram-me: "Que formidável! Achas que aquele garoto é atraente?" Ou, "Temos que ir à aula de ginástica contigo para ver quais são os garotos mais atraentes."

Quando disse a minha mãe, ela reagiu muito bem, e me disse": "Não importa se és gay, isso não te faz uma pessoa diferente." Deu-me um sermão que durou uns 20 minutos e eu lhe disse: "Sim, mamãe, sim. Estou cansado; posso ir dormir?"

Saí com meu primeiro namorado por três semanas, e depois rompemos e comecei a sair com outro garoto, a quem chamarei Adão. Foi minha primeira relação significativa, e compartilhamos muitas experiências na escola, porque os dois estávamos a sair do armário ao mesmo tempo. Ele tinha 15 e eu 13 anos. Ele tinha medo de que caminhássemos de mãos dadas na escola, e eu tinha medo de que caminhássemos de mãos dadas fora da escola, porque sabia que era perigoso, que qualquer grupo poderia vir e nos dar uma surra. Mas terminamos por ir de mãos dadas num grande shopping, e muitas pessoas nos olhavam. Uma vez alguém nos arremessou uma garrafa, mas por sorte com muita má pontaria.

Um dia Adão e eu nos beijamos na escola, e o professor de ginástica nos repreendeu e nos disse que estava proibida toda expressão de afeto no prédio da escola. Eu não estava seguro se o que nos disse era verdadeiro, de maneira que fomos falar com o diretor da escola. Adão não queria se queixar, mas eu queria fazer uma grande revolta. O diretor disse-nos que não estava nos discriminando , que se viam a um casal "hetero" beijando-se, também os repreenderia. Mas eu disse ao diretor que não nos estávamos beijando, que tinha sido um beijo muito inocente e que não tínhamos usando a língua.

Agora tenho 16 anos e vou a escola Hilltop High de Chula Vista, na Califórnia. Algumas vezes os outros estudantes insultam-me e chamam-me marica, mas o que molesta é quando abusam da expressão. Uma vez um garoto veio e disse a meu amigo: "Por que te sentas neste canto tão maricão com todos os maricas? Tu também és marica?" Eu não pude me conter e lhe respondi: "Lamento muito que tua destreza idiomática seja tão pobre que não se te ocorra usar nenhuma outra palavra." Quando escuto coisas assim vou e me queixo perante o diretor, porque sei que os comentários homofóbicos podem fazer muito dano a outras pessoas.

Faz quase três anos que saí do armário, e minha percepção do mundo está a mudar. Começo a ver coisas gays em todas partes, tal pessoa é gay e tal filme é gay. Estou a ver outra vez os filmes de Walt Disney, e encanta-me ver Mulán porque tem uma mensagem muito especial para os garotos gays, ou para qualquer pessoa que se sente diferente. Quando Mulán canta, "Quem sou eu?", ela demonstra que quer ser o que os pais dela querem que ela seja, mas que também quer ser ela mesma. A família de meu namorado Adão o expulsaram de casa por ser gay. Comparado com Adão e com muitos outros, sou muito afortunado.
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