Laci Marinho de Araújo e Fernando Alcântara de Figueiredo

Dois militares brasileiros assumem sua homossexualidade publicamente
“Pretendemos que nos vejam como a qualquer casal heterossexual”

A última edição da revista de maior tiragem no Brasil, Época, traz em sua capa a um casal de militares que vivem seu amor nas fileiras do exército.

Este é o primeiro caso de militares em serviço ativo dentro do exército brasileiro que, além de se assumir publicamente homossexuais, admitem uma relação estável, e o que é mais importante, dão à cara.

“Somos um casal e mantemos uma relação estável a mais de dez anos”, confessam na reportagem da Época.

Os sargentos Laci Marinho de Araújo (36) e Fernando Alcântara de Figueiredo (34) mostram-se unidos frente às críticas. “Pretendemos que nos vejam como a qualquer casal heterossexual”.

Ao longo da reportagem, Fernando Alcântara de Figueiredo conta que é nascido em Pernambuco e que pisou pela primeira vez Brasília em 1995, com então só 22 anos e sua mochila nas costas. Após onze meses e o curso preparatório para sargento do exército em Minas Gerais, foi-se à capital da República para postular se no Batalhão da Guarda Presidencial, unidade conhecida por ter uma das rotinas mais severas. Foi ali onde dias depois conheceu a Laci Marinho de Araújo, outro recém chegado a Brasília. Surgiu entre eles uma amizade, e em matéria de dias, essa amizade parecia que tivesse sido de toda a vida.

A relação que estava a começar marcaria o futuro do casal tanto dentro como fora do Exército. Aos dois anos, decidiram sair do quartel para viver juntos numa pensão, e mais tarde num apartamento. Essa proximidade de ambos despertou a atenção dos demais companheiros de quartel, incluindo seus superiores. Tudo indicava que não era uma simples amizade. No entanto eles asseguravam ser só grandes amigos. Até que na semana passada, isso mudou. Decidiram sair do armário na capa de revista Época, onde se assumem publicamente gays, e confessaram sua relação estável desde 1997.

O casal viu-se no epicentro de uma guerra com o Exército. Desde o 2007, têm-lhes entabulado pleitos na Justiça Militar. Por isso decidiram romper o silêncio, já que segundo contam, não são os únicos que vivem uma história de amor no Exército.
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